“Evangélicos são, entre os cariocas, os que mais rejeitam a ideia ‘bandido bom é bandido morto'” (O Globo, 04/4/2017)

“Evangélicos são, entre os cariocas, os que mais rejeitam a ideia ‘bandido bom é bandido morto”. (Notícia publicada no jornal O Globo, em 04/4/2017).

Meu comentário: Ainda que possa ser por causa de uma obediência automatizada e irrefletida ao mandamento “Não matarás”, esta postura dos evangélicos (será que os católicos e outros ramos cristãos não levam o mandamento tão a sério?) revela ao menos um aspecto positivo de sua religião. O que, ao menos, contrabalança outros aspectos bastante negativos, visto que o cristianismo, bem como o islamismo, são também fontes longevas de produção de preconceitos, discriminações, segregacionismo, separatismo, fundamentalismo, misoginia, perseguição religiosa. guerras “santas” e tantos outros males que assolam a humanidade. Particularmente, acredito que a postura sensata e conscienciosa de não buscar a vingança cega e o revanchismo tem mais a ver com Educação do que com religião. Educação com “E” maiúsculo, para não confundir com simples instrução. A meu ver, a solução para criarmos uma sociedade mais evoluída, consciente e sensata passa mais pelo investimento em Educação do que em religião. Um tipo de educação que vise a formação integral do indivíduo, não só acadêmica, mas social e humana. Uma educação para a CIDADANIA, que nos salve da ignorância, do primitivismo e dos fascismos, que pululam em épocas e locais onde o atraso social campeia, como no Brasil atual. Uma das evidências é justamente a espantosa quantidade de reacionários violentos que arrotam sua ignorância e boçalidade em expressões como “bandido bom é bandido morto” e outras ainda piores. Gente neste nível tão baixo não consegue elaborar nem ao menos raciocínios tão elementares como os expressos a seguir: “O ódio só gera mais ódio”, “Olho por olho, e ao final terminaremos todos cegos”. São pessoas a quem faltam as noções mais fundamentais de civilidade, humanismo e cidadania, talvez mesmo de uma educação básica. Gente que pensa em termos simplistas, num maniqueísmo raso de um (irreal) confronto entre Bem e Mal, como se tudo na vida fosse absolutamente claro e preciso. São pessoas que vêem as coisas em termos de “ou preto ou branco” e não conseguem enxergar as inúmeras gradações de cinza existentes na realidade, por serem incapazes de relativizar. Como crianças pequenas bem ingênuas, ainda olham para os conflitos sociais como uma batalha entre “bandidos x mocinhos”. Acham que a vida é como nos filmes de Hollywood, e dividem esquematicamente e simploriamente o cenário entre bonzinhos (eles mesmos, claro, que não têm imperfeições e jamais cometeram erros, hahaha) e malvados. Nesta ótica, os policiais são os heróis impecáveis e os bandidos são vilões absolutamente irremediáveis. Justiça seja feita aos (infelizmente poucos) policiais honestos, qualquer pessoa adulta e instruída é capaz de ver que a polícia não é formada de pessoas incorruptíveis e infalíveis. Também basta pesquisar com espírito desarmado e imparcial para descobrir histórias verdadeiras de ex-criminosos que se regeneraram e passaram a contribuir efetivamente para a melhora da sociedade. Em conclusão: menos maniqueísmo, primitivismo e agressividade tola e cega, por favor. O que nossa sociedade mais precisa, desesperadamente, é de muito mais educação para a cidadania, racional, imparcial, igualitária, solidária, democrática e inclusiva, para todos, indistintamente.

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