“Farsantes Universais”, de Aldir Blanc

Um trechinho do artigo “Farsantes Universais”, de Aldir Blanc, publicado no jornal O Globo em 30/10/2016:

“O camelô do Além já havia escarrado antes que “preto gosta de macumba e cachaça”. Chamou os católicos de agentes do demônio, condenou a “doença gay”. Quanta compreensão fraterna! Esse monstrengo nunca ouvir falar em Freud, em Kinsey, em recente pesquisa que mostra o dado assombroso – e real: 17 em cada cem pessoas, mesmo diante da evidência biológica, não sabem a que sexo pertencem?

Somos a capital da alegria, da gozação, da Garota de Ipanema à Suburbana bonita do candomblé. Muitos dos presentes na Vieira Souto têm seu macumbeiro particular.

Exportamos a tanga e o fio dental para o mundo, amamos o chope, a batida de limão e as sardinhas das sextas-feiras, e elas se tornam mais santas quando compartilhamos uma cana, disputando cervejotas na porrinha.

Não tememos ser traídos por nossos desejos sexuais. Viva quem saiu do armário para o sol ou para a corrida de submarino, Evoé! Bunda de fora redime, salva. Vi, na prática psiquiátrica, vidas coaguladas porque pessoas, em intenso sofrimento, não ousavam repetir experiências sexuais praticadas na adolescência. Os que conseguiram se libertar desses grilhões psíquicos foram mais felizes.”

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