Trecho do artigo “Respirar”, de Fred Coelho

“Minha geração (comentada em um belo texto de Guilherme Wisnik publicado na última segunda-feira na “Folha de S. Paulo”) se vê, creio, em profunda revisão de valores. Mesmo que não fôssemos os reis da utopia, tínhamos certeza de que éramos testemunhas de uma mudança em curso. Afinal, vimos em 22 anos o poder passar, através do VOTO, de um sociólogo para um ex-líder sindical, e dele para uma mulher. Vivemos a inflação e vimos a economia estabilizada, vimos a inclusão social efetiva, vimos a transformação paulatina das cores e gêneros em espaços antes exclusivos de classes e grupos privilegiados pela desigualdade econômica.  Nos últimos meses, porém, penso que não mudamos muito, já que nos encontramos curando feridas que ainda vêm dos tempos de nossos pais. É chocante (re)ver os ódios definidos por cores de roupas e ideias divergentes. É absurdo lermos manchetes nos separando entre “brasileiros” de verde e amarelo e “aliados” de vermelho. É assustador constatar a violência contaminando o espaço público com o “Inimigo medo” como nos alertava o poeta Torquato Neto em 1972.” – Fred Coelho, publicado em 23/3/16 em O Globo.

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