Archive for dezembro \31\UTC 2015

Trechos da entrevista de Alexandre Araújo, físico.

dezembro 31, 2015

Trechos da entrevista de Alexandre Araújo, físico com doutorado nas universidades de Colorado e de Yale (EUA) ao repórter Gian Amato, no jornal O Globo em 23/12/2015:

“O ser humano precisa desacelerar, porque é impossível manter a máquina ensandecida, hiperprodutiva e hiperconsumista, funcionando impunemente. Ela demanda cada vez mais e multiplica os rejeitos, a poluição, os plásticos. Ou seja, os expurgos desse sistema enlouquecido.

  • Pisar no freio como?

Aterrissar, vir para a Terra, entrar em contato com a realidade, da qual nos desconectamos. Os grandes centros urbanos são parasitas coletivos. As pessoas tiveram a consciência corrompida a ponto de achar que a comida é um produto mágico, e a água desce por mágica da torneira. Isso nos tornou alienados. Vivemos numa bolha de ilusão absurda.

  • Individualmente, o que é possível fazer?

Viver uma vida mais simples. Quem precisa de um SUV na garagem e um celular novo a cada ano? Quem precisa disso para se sentir bem está muito mal da cabeça, desculpe.”

Trecho do texto “COP-21: sucesso ou fracasso?”

dezembro 31, 2015

Trecho do texto “COP-21: sucesso ou fracasso?”, de Lizt Vieira e Etienne Vernet:

“A COP-21 é um novo ponto de partida, é mais um passo na direção certa. Mas ainda estamos muito aquém do que seria necessário para impedir o caos climático. A indústria de petróleo continua poderosa: dela depende a política energética dos grandes países poluidores, como China, Índia e EUA, apesar dos investimentos destes em favor das energias renováveis. (…)

Enquanto isso, cabe a todos pressionarem os políticos nacionais e locais para a implementação de políticas energéticas ambiciosas em favor das energias renováveis.”. – Lizt Vieira e Etienne Vernet

Um trecho do artigo”Bolsa, bonita e barata”, de Marcus Faustini.

dezembro 31, 2015

“A crise política no país em 2015, além de acentuar a paralisia econômica, instaurou uma vertigem do imaginário que não poupou nada. A confiança em tudo que foi feito até então ficou embolada no emaranhado jogo de revelações das tramas e dos vícios das estruturas de poder no Brasil.

Conquistas sociais da primeira década dos anos 2000 foram taxadas apenas como artimanhas de manutenção do poder. Um discurso de corte dessas conquistas foi se legitimando a partir dessa desconfiança, mas também pela ideia de que em épocas de crise não se deve pensar nas questões sociais.

A manutenção do programa Bolsa família, sem cortes, depois de um ano onde foi direta ou indiretamente colocado como alvo, é uma vitória da democracia brasileira.” – Marcus Faustini

Feliz 2016!!

dezembro 31, 2015

Quero lembrar que 2015 não foi feito apenas de acontecimentos ruins (como o maior desastre ambiental brasileiro!), mas também de fatos positivos (como o prosseguimento e evolução de investigações, processos e prisões contra corruptos dos mais altos escalões, em uma dimensão jamais ocorrida antes no Brasil!) e, por isso, equilibrando nos pratos da balança um pouco da minha indignação de sempre e um pouco da minha ESPERANÇA de sempre, desejo a tod@s amig@s e leitores um belíssimo e feliz 2016!

O Annus nefastus de 2015 não invalida a esperança de um annus propicius

dezembro 31, 2015

Leonardo Boff: “O Annus nefastus de 2015 não invalida a esperança de um annus propicius”

Leonardo Boff

O ano que acaba de 2015 merece esta qualificação latina: annus nefastus. Outros o chamam de annus horribilis. Ocorreram tantas calamidades que além de espanto nos causam preocupações.Nâo obstante tudo isso esperamos pelo irromper do annus propicius.

A primeira delas é o Dia da Sobrecarga ou da Ultrapassagem da Terra (Earth Overshoot Day) ocorrido no dia 13 de setembro. Isto significa: neste dia a Terra revelou que seu estoque de suprimentos para manter sistema-vida o sistema-Terra ultrapassou os limites. Ela perdeu sua biocapacidade. A Terra é o pressuposto de todos os nossos projetos. Como a Terra é um Super-ente vivo, os sinais que nos envia de que não aguenta mais, são as secas, as enchentes, os tufões e o aumento da violência no mundo. Tudo está ligado a tudo, como nos repete insistentemente o Papa Francisco em sua encíclica.

Associado a este fato, é ilusório o consenso…

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Eu sou tão órfão de Lemmy quanto de Lennon!!

dezembro 29, 2015

Ainda não consigo acreditar que o grande Lemmy se foi, tá demorando pra cair a minha ficha aqui. É uma sensação estranha pra mim, meio que de orfandade… só me senti igual quando morreu John Lennon, outro dos meus ícones e figura de referência. Lemmy era, pra mim, como o Elvis Presley foi pra roqueiros de gerações anteriores, dos anos 50 e 60; um ícone, um símbolo. Como todo autêntico geminiano, eu sou uma fusão de vertentes opostas (afinal, ser uma coisa só é muito chato e limitado, vamos combinar!), e Lennon e Lemmy representavam bem estes dois lados: Lennon, o idealista, utópico, politizado, intelectual, romântico, anarquista e pacifista. Lemmy, o rebelde, revoltado, visceral, anárquico, niilista e porra-louca. Dois lados, aliás, do ROCK, minha única religião. Eu já era órfão de Lennon, agora sou de Lemmy. Não faz mal; eles são imortais e eternos, continuarão sendo minhas estrelas-guias; eu continuo minha jornada pelas trilhas do Rock fazendo eu mesmo meu caminho (Xiii, acabei de lembrar que me esqueci de meu TERCEIRO ÍCONE-GUIA: Raulzito-ROCK-Seixas!!!). Mas, esta já é uma outra história…

O Natal de Stedile por Mario Sergio Conti

dezembro 25, 2015

Compartilhando em total concordância: Há muitas formas de se falar do Natal. A maioria se prende ao ideário religioso e cristão. Mas há também formas seculares e poéticas como fez Manuel Bandeira em seu comovedor “Canto de Natal”e de forma, a meu ver insuperável, por Fernando Pessoa. Agora temos a reflexão política surpreendente do jornalista e entrevistador de televisão de Mario Sergio Conti. De modo secular nos comunica a mensagem de Natal que tem inspirado uma das lideranças mais combativas que é João Pedro Stédile do MST. Vale seguir seu raciocínio estimulante. (Leonardo Boff)

Leonardo Boff

Há muitas formas de se falar do Natal. A maioria se prende ao ideário religioso e cristão. Mas há também formas seculares e poéticas como fez Manuel Bandeira em seu comovedor “Canto de Natal”e de forma, a meu ver insuperável, por Fernando Pessoa. Agora temos a reflexão política, supreendente do jornalista e entrevistador de televissão de Mario Sergio Conti. De modo secular nos comunica a mensagem de Natal que tem inspirado uma das lideranças mais combativas que é João Pedro Stédile do MST. Vale seguir seu raciocínio estimulante. Lboff

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Quando menos se espera, o Natal está aí: calorão, filas, tempestades, engarrafamentos, dinheiro curto, sofreguidão de última hora para comprar presentes. Ainda assim, o Natal é um convite à pausa, à reflexão.

Como o ano foi de tumulto, de luta acre no Parlamento e fora dele, de ações espetaculosas da Lava Jato, de xilindró cheio de nababos em Curitiba…

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A COP 21 pavimenta o caminho para o desastre

dezembro 23, 2015

Segunda parte do texto imperdível do Leonardo Boff – um dos mais importantes pensadores da ecologia nos tempos atuais – sobre os resultados da COP21. Não deixem de ler!

Leonardo Boff

No artigo anterior publicado neste espaço, o autor, após ressaltar os pontos positivos, começou uma acirrada crítica sobre a ilusória proposta feita pela COP21 acerca do aquecimento global. A boa intenção de todos não pode ser negada, apenas que essa intenção não é boa para a vida, para a humanidade e para a Casa Comum: a forma como se quer prevenir o teto de 2ºC de aquecimento e caminhar até 2100 na direção dos níveis pré-industriais que eram de 1,5ºC.

Tudo isso, as usual, deverá ser atingido sem atrapalhar o fluxo comercial e financeiro do mundo, decorrente do lema da Convenção:”transformando nosso mundo: a agenda 2030 para um desenvolvimento sustentável”.

Aqui reside o nó do problema. O desenvolvimento que predomina no mundo não é absolutamente sustentável, pois é sinônimo de puro crescimento material ilimitado dentro de um planeta limitado. Este é conseguido mediante a desmesurada exploração dos bens…

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A enganosa proposta da COP 21

dezembro 23, 2015

Mais um texto imprescindível do Leonardo Boff, um dos mais importantes pensadores da ecologia nos tempos atuais! A COP21 que acaba de encerrar seus trabalhos no dia 12 de dezembro em Paris com a autocongratulação de todos, traz inegavelmente pontos positivos. Laurent Fabious, presidente da COP21, reafirmou que o “texto é diferenciado, justo, duradouro, dinâmico, equilibrado e juridicamente vinculante”. Muito bem. Mas isso não nos exime de fazermos algumas ponderações críticas, dada a gravidade do tema que afeta o futuro de todos. (Continua a seguir)

Leonardo Boff

A COP21 que acaba de encerrar seus trabalhos no dia 12 de dezembro em Paris com a autocongratulação de todos, traz inegavelmente pontos positivos. Laurent Fabious, presidente da COP21, reafirmou que o “texto é diferenciado, justo, duradouro, dinâmico, equilibrado e juridicamente vinculante”. Muito bem. Mas isso não nos exime de fazermos algumas ponderações críticas, dada a gravidade do tema que afeta o futuro de todos.

O primeiro ponto positivo foi a cooperação entre os 195 países participantes. Sua ausência foi lamentada na COP15 de Copenhague por Nicholas Stern, assessor da rainha Elizabeth em questões ecológicas, com estas palavras: “Nossa cultura não está habituada à cooperação, exceto em caso de guerra; de resto impera a competição entre as nações; enquanto perdurar este espírito nunca chegaremos a nenhuma convergência”. Agora ela ocorreu, facilitada pelo reconhecimento de que não estamos indo ao encontro do aquecimento, senão que já nos encontramos dentro dele; ademais…

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A ausência de uma nova narrativa cosmológica nas COPs da ONU

dezembro 19, 2015

A ausência de uma nova narrativa nas diferentes COPs da ONU – Leonardo Boff

Leonardo Boff

Amanhã, dia 11 deve terminar a Vigésima Primeira Conferência das Partes (COP 21) da ONU em Paris que se propõe metas a serem assumidas por todos para diminuir os gazes de efeito estufa e equilibrar o clima da Terra abaixo de dois graus Celsius. Caso contrário haverá graves consequências para o sistema-vida e para o inteiro planeta. Como ainda não se pensa na Terra como um todo mas cada pais pensa em seus interesses, até hoje não se chegou a nenhum consenso, seja quanto ao clima, seja quanto ao financiamento de 100 bilhões de dólares/ano, seja na transferência de tecnologia e aprendizado para os países mais carentes e ameaçados.Desta vez, tenho a impressão que os avanços serão pífios e apenas voluntários, o que permite que a maioria não faça nada ou não o suficiente. Muitas são as causas que iremos ainda analisar neste espaço. Mas a principal dela se deriva…

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