Archive for julho \19\UTC 2014

Festejar: é afirmar a bondade da vida

julho 19, 2014

Leonardo Boff: “Festejar: é afirmar a bondade da vida”.

Leonardo Boff

O tema da festa é um fenômeno que tem desafiado grandes nomes do pensamento como R. Caillois, J. Pieper, H. Cox, J. Motmann e o próprio F.Nietzsche. É que a festa revela o que há ainda de mítico em nós no meio da prevalência da fria racionalidade. Quando se realizou a Copa de futebol no Brasil no mes de junho/julho do corrente ano de 2014 irromperam as grandes festas, em todas as classes sociais, verdadeiras celebrações. Mesmo depois da humilhante derrota do Brasil frente à Alemanha, as festas não esmoreceram. Na Costa Rica, mesmo não sendo a campiã do mundo, mas mostraram excelente futebol, até o Presidente saíu à rua para celebrar. Não foi diferente na Colômbia.

A festa faz esquecer os fracssos, suspende o terrível cotidiano e o tempo dos relógios. É como se, por um momento, participássemos da eternidade, pois na festa não percebemos o tempo passar.

A…

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“Crônica de várias mortes anunciadas” – Cora Ronai

julho 3, 2014

Muita atenção, pessoal!! Trata-se de mais um inaceitável e cruel descaso da Prefeitura do RJ em relação aos animais abandonados!! Temos que nos mobilizar em favor dos pobres bichos! Em matéria publicada hoje (03/7) no jornal O Globo, a jornalista Cora Ronai, heroica defensora dos animais, publicou também uma matéria sobre este fato gravíssimo. Ajudem a divulgar a  denúncia e também a dar o merecido castigo nas urnas a este Prefeito inimigo dos animais!!

 

E, mais uma vez, os gatinhos do CASS (Centro de Administração São Sebastião), o centro administrativo da prefeitura, estão ameaçados. As protetoras locais foram informadas de que os cerca de 150 bichinhos serão transferidos amanhã, dia de jogo do Brasil, quando o mundo inteiro estará de olho na televisão — momento ideal, portanto, para levar a cabo este ato covarde e arbitrário. A própria legalidade da remoção é questionável, já que os gatos do CASS se enquadram perfeitamente na definição de animais comunitários, sendo bem alimentados e bem cuidados, apesar da contínua sabotagem da administração.
Diz a Lei: “Fica considerado como animal comunitário aquele que, apesar de não ter proprietário definido e único, estabeleceu com membros da população do local onde vive vínculos de afeto, dependência e manutenção.” Ver a prefeitura ir frontalmente contra uma lei municipal não é o que se possa chamar de exemplo de cidadania.
o O o
A colônia do CASS existe há mais de 15 anos. Ela começou como começam todas as colônias urbanas: com o abandono irresponsável de animais. Cresceu a princípio desordenadamente, mas logo foi adotada por funcionários da prefeitura, que passaram a cuidar dos bichinhos com atenção e amor. Hoje eles são alimentados com ração premium, são castrados e tratados em clínicas veterinárias quando adoecem. As despesas saem do bolso dos protetores e protetoras, que fazem o trabalho que o estado deveria fazer.
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No papel, a ação da prefeitura parece inofensiva. Na prática, é um ato de enorme violência, a começar pela captura dos animais, que são feridos, têm membros quebrados e frequentemente morrem atropelados ao fugir de ações deste tipo. Mais grave ainda, porém, é a destruição do equilíbrio em que vivem. Numa colônia antiga como a do CASS, há animais que nasceram e cresceram no mesmo lugar, obedecendo a uma “cultura” de hierarquias formada por grupos e famílias que aprenderam, ao longo dos anos, a dividir o espaço entre si.
Tudo isso já seria bastante grave se os gatinhos fossem levados para um espaço adequado; mas não é o que vai acontecer. Seu destino é o Gatil São Francisco de Assis, que não tem espaço sequer para os animais que para lá foram transferidos originariamente do Campo de Santana. Elogiei este gatil na época em que foi inaugurado, mas me arrependi do elogio poucos meses depois, quando os gatos tiveram que ser abrigados na Fazenda Modelo (que de modelo não tem nada) por causa da queima de fogos durante o desfile das escolas de samba: pelo menos cinquenta não voltaram desse retiro forçado.
Nenhum abrigo público do Rio de Janeiro tem um mínimo de condições para oferecer uma vida digna aos animais. No papel eles podem ser muito bons e muito bonitos, mas na vida real são meros depósitos de bichos, com falta de veterinários, sem equipes especializadas e com as famosas “escalas vermelhas”, em que os animais sadios adoecem e os doentes morrem.
“Escala vermelha”, aprendi recentemente, são aqueles fins de semana e feriados em que todo mundo falta. Precisa chegar às oito? Ora, tanto faz, chega-se ao meio-dia. É para sair às cinco? Sai-se às duas, que ninguém é de ferro. E daí se os bichos ficarem sem comer? E que diferença faz se os doentes não tomarem os remédios? São apenas gatos… Há pouco tempo uma protetora encontrou um dos siameses do gatil agonizando numa gaiola da Fazenda Modelo, esquálido, espetado num frasco de soro vazio. Este será o destino dos gatinhos do CASS, que a prefeitura quer tirar das mãos das pessoas que os alimentam regularmente, chova ou faça sol, e que não deixam de medicá-los, quando precisam.
o O o
Recebi um pedido de socorro das protetoras, desesperadas com a decisão da prefeitura. Ele veio com fotos de 31 gatinhos, identificados pelos respectivos nomes — mas há muitas outras fotos, e cada um dos animais não só é conhecido pelo nome, como pela sua história. Nos abrigos os nomes se perdem junto com a história, e os bichos deixam de ser indivíduos para se tornarem estorvos, criaturas inconvenientes das quais a prefeitura só quer distância.
O pior é que a remoção de colônias já se provou inútil em todas as partes do mundo. A forma de lidar com animais de rua é controlando a sua população através de castração, adoção e campanhas educativas para coibir o abandono. Hoje se retiram 150 animais; amanhã serão abandonados outros tantos.
o O o
O problema dos bichos abandonados não vai ser resolvido, no Rio, enquanto a prefeitura não tiver um plano a longo prazo. Não se resolve uma questão grave como o abandono, por exemplo, com a remoção de animais para depósitos insalubres onde deixam de ofender a sensibilidade de quem não gosta de peludos.
A Sepda, Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais, não é sequer uma secretaria de verdade; não tem orçamento, depende de favores daqui e dali e do humor do prefeito e de seus assessores. Faz castrações de animais, é verdade, mas em número muito inferior ao que seria necessário, e não tem cacife para combater as más intenções da subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses, que só enxerga nos animais uma ameaça à saúde pública. Mais um pouco, e vamos ver carrocinhas circulando novamente pela cidade.
Para dizer a verdade, com o desprezo que a nossa atual administração devota aos bichos, não sei como isso ainda não aconteceu.
(O Globo, Segundo Caderno, 3.7.2014)