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Sobre o fantástico artigo “Dar um rolezinho”, de Agostinho Vieira

janeiro 23, 2014

Gostei muito do artigo intitulado “Dar um rolezinho”, do Agostinho Vieira em sua coluna “Economia Verde”, do dia 16/01/14. Ele pegou um ponto com o qual eu concordo totalmente e sobre o qual eu já vinha pensando também desde o começo destas manifestações (os rolezinhos). Segue um trecho do artigo: “Tem gente falando em “racialização” do consumo. Um neologismo que significaria que pobres e negros estariam sendo proibidos de comprar. Bobagem. Grande parte dos jovens que participam dessas manifestações já usa as roupas e os tênis da moda. Muitas vezes abriram mão de itens mais importantes para ostentar esses símbolos de status. Além disso, não tenho notícia de um jovem negro, branco, pardo ou mameluco que tenha sido preso por tentar comprar alguma coisa. Seria a falência do sistema capitalista. A discriminação não está na ponta do consumo, mas na falta de educação e saúde de qualidade. No saneamento deficiente. Nas escassas oportunidades de lazer e cultura. Que tal um rolé na porta da Cedae para exigir a universalização da coleta e do tratamento do esgoto? Talvez uma voltinha na entrada dos melhores colégios do Rio e de São Paulo exigindo que as escolas públicas tenham o mesmo padrão de ensino? (…) Será que a democratização do consumo virou a grande bandeira do século XXI? Vamos todos  exigir que a Apple reduza os preços do iPhone 5S. Ou gritar que é um absurdo o valor da televisão de 60 polegadas não ser parcelado em 20 vezes. Numa das manifestações, os jovens entraram no Shopping Guarulhos cantando um funk ostentação do MC Danado que diz: “Vida é ter um Hyundai e uma Hornet, dez mil para gastar, Rolex, Juliet. Melhores kits, vários investimentos. Ah como é bom ser o top do momento.” (…) Claro que uma letra dizendo que “Vida é ter uma coleção de livros do Eça de Queiroz e ouvir Miles Davis” está fora de questão. Mas citar quatro marcas numa frase é um pouco demais. Há quem diga que esse é o resultado perverso de uma sociedade consumista que vem sendo construída há vários anos. Talvez.”

BRAVO, Agostinho Vieira!!! EXCELENTE!!! Apenas, digo: seu texto termina com a palavra “talvez”. Infelizmente, eu acredito que não seja “talvez”. Sua última afirmação, lamentavelmente, está comprovada pelos fatos há muito tempo. Este é, sim, o “resultado perverso de uma sociedade consumista que vem sendo construída há vários anos.”

De minha parte, como sabem bem meus amigos e leitores, sou radicalmente a favor da igualdade de oportunidades para todos, da justiça social, e da distribuição mais justa dos recursos do planeta para todos seus habitantes de forma igualitária. Também sou radicalmente contra o racismo, a segregação, o elitismo e o autoritarismo. Esclarecido este ponto, passemos ao próximo: também sou RADICALMENTE contra o CONSUMISMO, a lamentável estupidez (que iguala tanto os ricos idiotas como os pobres também idiotas) que tem destruído o nosso planeta, os nossos recursos naturais e que vai acabar (em breve!) destruindo toda a raça humana. Este é o resultado de anos investindo num sistema auto-destrutivo, o capitalismo, que valoriza o TER e não o SER, que estimula o consumo desenfreado e irracional e que se apoia não só na exploração gananciosa dos recursos naturais e da força de trabalho do proletariado, mas também na alienação geral dos indivíduos, ricos ou pobres, que são induzidos o tempo todo a COMPRAR, COMPRAR, COMPRAR; CONSUMIR E JAMAIS PENSAR; JAMAIS REFLETIR SOBRE O RESULTADO DE SUAS AÇÕES PARA O PLANETA, PARA OS RECURSOS NATURAIS E PARA OS OUTROS SERES, HUMANOS E ANIMAIS, QUE HABITAM O MESMO PLANETA.

Então, meu caro Agostinho Vieira, eu infelizmente devo acrescentar: “talvez”, não. Estamos (TODOS, querendo ou não) num voo cego, rumo ao esgotamento total dos recursos de nosso planeta e ao fim desta patética e miserável sociedade consumista, gananciosa, estúpida e vã. LAMENTO MUITO!!!

“Aniversários redondos” – Míriam Leitão

janeiro 7, 2014

Recomendo enfaticamente a leitura do irretocável artigo “Aniversários redondos”, da jornalista Míriam Leitão, publicado em 05/01/2014 em sua coluna no jornal O Globo. Um texto fundamental para leitura e reflexão, tanto daqueles que viveram os fatos citados por ela quanto – principalmente – para os que não os viveram. Reproduzo alguns trechos: “O passado passou tão depressa que nem vimos direito e mal tivemos tempo de contar aos mais jovens o que era viver no meio de uma ditadura e com a inflação fugindo ao controle. O presente é tão intenso, com prisão de mensaleiros, alguns deles ex-militantes contra a ditadura, que tudo fica embaralhado na cabeça do jovem. A luta contra o regime militar não absolve os mensaleiros, os erros do presente não apagam o passado. A democracia não é garantia de governo perfeito, mas é a chance de votar regularmente para manter ou mudar o governo; conforme queira a maioria. É a possibilidade de debate, criticar o governo, influenciar nas decisões tomadas e exigir transparência. É desafiador falar aos muito jovens. Eles não têm que acreditar em nós, os que vimos a ditadura. (…) O governo militar foi todo ruim. Não houve a parte boa na economia, como dizem seus defensores. A inflação entregue pelos militares já tinha contratado a escalada que iria consumir a primeira década democrática. Os erros econômicos dos governos civis foram responsabilidade de quem os cometeu, principalmente o violento Plano Collor, mas foi a indexação generalizada e a leniência com a inflação que produziram a tragédia econômica que foi vencida pelo Real.”

Retrospectiva 2013

janeiro 2, 2014

Perdi muita coisa boa da vida cultural em 2013 , por falta de tempo ou de grana, porca miséria!  Só agora no finalzinho de dezembro eu consegui ir ver “O Capital”, de Costa-Gavras, um dos grandes filmes do ano na minha seleção pessoal dos Melhores de 2013. Foi meu favorito do ano, juntamente com os dinamarqueses “A caça”, “O amante da rainha” e “Amor é tudo que você precisa”. Uma excelente safra cinematográfica da Dinamarca nos últimos anos e neste ano que passou também! Da Itália veio o maravilhoso “Cesar deve morrer”, dos fratelli Taviani e o impressionante “A bela que dorme” do grande Marco Bellocchio. Vi também o fantástico documentário “Bertolucci On Bertolucci”, criativo, instigante e polêmico como a obra do retratado. Mais: da França, “O homem que ri”, baseado no clássico de Vitor Hugo, maravilhoso! Da Alemanha, “Lore”, um filme fantástico pra entender um pouco mais sobre a Segunda Grande Guerra. E “Hannah Arendt”, claro, imperdível também! Da terra do Tio Sam gostei demais de “O Mestre”, com os super-feras Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman arrasando na atuação e “As sessões” com Helen Hunt, também arrasadora! Dos nacionais, “O som ao redor” foi, sem dúvida, meu predileto. Fui muito pouco ao teatro, infelizmente, lamento muito.

Também vi pouquíssimos shows, mas alguns foram inesquecíveis: O bruxo Hermeto enfeitiçou o público – como sempre faz – no Largo do Machado e o mano Caetano botou a juventude niteroiense pra pular, dançar, beijar e cantar junto no Teatro Popular Oscar Niemeyer, que felizmente foi reaberto, uma ótima notícia de 2013 pra cidade de Niterói! Brandford Marsalis mostrou sua categoria tanto no free-jazz como no jazz tradicional,  tocou Blues clássico e o público acabou dançando no Parque dos Patins na Lagoa. Não deu pra ir no Rock In Rio – preços proibitivos pra um trabalhador comum feito eu – mas foi bom de ver mesmo pela tevê, no canal Multshow, a porradaria sagrada dos Mestres do Metal: Slayer e Metallica foram impecáveis!!! Carajo, que potência sonora é aquela do Slayer??!! E os caras do Metallica provando e comprovando que a passagem do tempo só contribui para o entrosamento do grupo e para a maestria na execução de seus instrumentos! Aliás, outro que parece não sentir o peso do tempo é o chefão Bruce Springsteen, que deu outro showzaço de competência, carisma e simpatia, além da fineza de homenagear nosso Imortal Mestre Raulzito Rock Seixas com “Sociedade Alternativa”. Eu quase chorei, cacilda!

2013 ficou marcado também pela lindíssima exposição “Genesis”, de Sebastião Salgado, no Jardim Botânico, a individual da Beatriz Milhazes no Paço e também por alguns excitantes eventos da cultura alternativa mais avançada: Arte Core, no MAM; Art Rua, no Galpão Gamboa e Multiplicidade, no Parque Lage. Muita coisa boa, ideias geniais, arte vibrante e gente interessante na ponta de lança das ideias de vanguarda!

Ainda não li, mas recomendo e já considero o livro do ano “O homem que amava os cachorros”, de Leonardo Pandura, além de “Barba ensopada de sangue”, de Daniel Galera.  Na tevê, pra variar, teve pouca coisa boa. Só gosto de ver “The Walking Dead”, cuja segunda temporada conseguiu o milagre de manter o soberbo nível da primeira, e The Following, eu tou morrendo de ansiedade pela segunda temporada! No mais, só mesmo “Family Guy” (Uma família da pesada);  “American Dad” e os Simpsons, mesmo que em reprise. O ótimo programa “Navegador” veio se juntar a outras boas opções de programas jornalísticos e de conteúdo da Globonews, como o “Cidades e Soluções” (que eu adoro!) e o programa do Fernando Gabeira, sempre bom!

Como nem tudo é perfeito, vamos às notícias tristes: a morte do maior personagem do século XX pra mim – ao lado do Mahatma Gandhi, claro – e um de meus ídolos pessoais: Nelson Mandela. A tristeza do nó cego na guerra civil da Síria e o desmanche da Primavera Árabe também me deixaram muito triste. Olhando pelo lado bom, as marchas de protesto no Brasil me encheram de orgulho e esperança. Não vamos deixar a poeira baixar!! A luta continua em 2014!!! Heróis do Ano: Bradley Manning e Edward Snowden, este último o Homem do Ano, pra mim. Jorge Bergoglio também foi uma grata surpresa e uma figura bonita que ajudou a melhorar um pouco a imagem de uma certa instituição meio falida e desgastada (aham, não vou dizer o nome, rs…). Mas Snowden foi, sem dúvida, o Homem do Ano! A melhor notícia de 2013? Ah, é fácil: a volta do MONTY PYTHON!!!

Feliz 2014 a tod@s!