Archive for agosto \26\UTC 2013

Um trecho do magistral artigo “A primavera podre”, de Arnaldo Jabor

agosto 26, 2013

“Depois da previsível tentativa da Irmandade [Muçulmana] e Mursi de criarem um país islamita, com “sharia” e burka, o Exército interveio com uma brutalidade espantosa. Mata-se sem pena ali; não há indivíduos – só uma massa a ser punida, no interesse do poder. E aí, acabou a ilusão de um final feliz. Não há mais happy end. Antes, quando o Exército interveio e depôs Mursi, houve a esperança de que fosse um “golpe militar liberal”. Mas isso é uma contradição em termos. Isso não existe. Não existe na mente dos muçulmanos a ideia de democracia nem de indivíduo. Não adianta – vejam o Iraque e o Afeganistão. Eles sempre retornarão à submissão, a Alá e Maomé. No Egito, os militares sempre foram uma elite privilegiada. Os bilhões de dólares que os USA enviavam eram sua cama de luxo. Por outro lado, a Irmandade Muçulmana metralhou o presidente Sadat diante das câmeras do mundo todo e pariu a al-Qaeda. A irmandade foi a maternidade dos homens-bomba. E agora? Somos a favor de milicos massacradores ou de islamitas de uma irmandade pré-medieval, terrorista e maluca?” Arnaldo Jabor, cineasta.

Meu comentário: O Jabor manda muitíssimo bem quando expõe e critica o atraso mental/emocional dos fanáticos religiosos, sejam cristãos ou islâmicos. Por esse motivo, leio frequentemente com muito prazer suas colunas semanais na grande imprensa. Como vocês podem ver – mais uma vez – não faço parte da esquerda sectária, burra e fundamentalista (que, desta forma, na minha opinião se iguala aos trogloditas imbecis da direita) que são incapazes de enxergar meios-termos, só conseguem ver as coisas em termos de preto-no-branco. Para mim não existem absolutismos, nem certezas absolutas, nem radicalismos intransigentes. Por isso sou anarquista e autônomo (o grupo que sigo sou eu, mim mesmo e mais eu também). Não nasci pra ser vaquinha de presépio, pra seguir rebanho nem pra carregar bandeira ou cruz alguma. Admiro o Jabor por ser também um intelectual com uma postura independente, como eu também tento ser. Sinto-me livre pra criticar qualquer sujeito ou instituição, partido ou religião, seja à direita ou à esquerda. Este negócio de desconsiderar as ideias de alguém só porque escreve na mídia corporativa (trabalha na Globo) ou porque não se alinha com as ideias tradicionais da esquerda ortodoxa não é pra mim. Eu também não sou ortodoxo (rs…), muito menos tradicional, hahahaha!

Não troco minha autonomia de livre-pensador para fazer parte de qualquer grupo que seja. Prefiro continuar sendo um velho lobo solitário anarco-individualista do que seguir qualquer rebanho de ovelhas, sejam religiosas ou políticas.

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agosto 26, 2013

“Já expressei aqui a ideia de que as manifestações [os protestos nas ruas do Brasil desde junho] podem ser vistas, sem querer com isso explicá-las, como uma tremenda golfada social, súbita e inesperada como certos vômitos, desencadeada pelo que há de nauseante na farsa política, por um lado, e como a devolução indigesta de uma sociedade de mercado heterogênea, irredutível a qualquer categoria unificadora, cuja salada ideológica os movimentos a seu modo expressam, turbinados pela revolução digital. Em outras palavras, eles perturbam a mecânica dos modos de representação política que aspiram ao poder de Estado e ao mesmo tempo a lógica economicista que submete todas as relações ao mercado.” José Miguel Wisnik, Professor.

O machismo alimentado e realimentado pelas mulheres

agosto 26, 2013

“Apesar de todas as conquistas femininas, ainda existem mulheres que preferem ser como animais de companhia. E pior, elas são machistas e educam os filhos para o serem também. E, assim, as próprias mulheres desvalorizam as suas conquistas.” Mary del Priore, historiadora.

Taí uma coisa que eu falo há muito tempo!!! É por isso que eu afirmo – com convicção – que sou mais feminista que muitas mulheres! Eu vejo como o machismo na sociedade, aparentemente um mal causado por homens, na realidade é um MAL CAUSADO POR HOMENS CRIADOS POR MULHERES MACHISTAS. Aquelas que não sabem se dar o devido valor, que aceitam o conservadorismo entranhado na sociedade graças às misóginas e retrógradas religiões monoteístas (judaico-cristãs) e que repetem sem questionar e não combatem as noções arraigadas do moralismo hipócrita vigente. Eu poderia falar muito mais ainda sobre isso, mas vou parar por aqui, por enquanto.

agosto 26, 2013

“A polícia do Rio [RJ] matou mais de dez mil pessoas em uma década, número que não deixa a dever a muita guerra. Há indícios de policiais com 20 autos de resistência. Em qualquer país, um sujeito que matou 20 pessoas é um serial killer. Não pode continuar na corporação. Não se pode conviver na democracia com áreas (favelas) onde há um cheque em branco para a execução, com tolerância de autoridades e da sociedade.” Felipe Santa Cruz, advogado, Presidente da Ordem dos Advogados do Rio (OAB/RJ).

O martírio dos animais privados de LIBERDADE – por Roberto Cabral, Biólogo.

agosto 19, 2013

“A macaca Carla passou 37 anos morando com uma família em SP. Seu caso é um exemplo típico de fauna silvestre sem direito à floresta. Todo dia, todos os anos, casos como estes se repetem no Brasil. Animais silvestres são arrancados de sua segurança, sua liberdade. A imensidão da mata fica para trás. Finalmente o animal acaba em uma casa, o mesmo destino de todos aqueles retirados da natureza. Dizem que o tratam como um filho, mas a coleira ou corrente em volta da cintura não deixa dúvidas: é um prisioneiro.

O tráfico de animais silvestres empobrece nossas matas e rouba a liberdade de milhões de seres vivos. O cativeiro ilegal como um silencioso escoadouro suga nossa fauna para um mundo invisível de sofrimento. A alimentação é inadequada, as gaiolas são pequenas ou correntes, curtas. O pássaro não voará, o macaco não saltará. (…)

Mesmo que bem intencionado, o cativeiro não atende às necessidades de um animal silvestre. Ele adoece por alimentação inadequada, atrofia os músculos, pois não possui espaço e causa transtornos psicológicos ao privá-los do convívio com a própria espécie. Rouba-lhes todos os anos de sua vida ou, muitas vezes, toda sua juventude. (…)

Usualmente se critica o traficante e ele realmente é o elo mais nefasto da cadeia do tráfico de animais silvestres. Mas se deve questionar: por que o traficante existe? A resposta é óbvia, mas em geral não gostamos de considerá-la. O traficante existe porque existem as pessoas que compram ou aceitam os animais silvestres. Assim, acabar com o tráfico de animais é fácil. Depende da conscientização de que o cativeiro é perverso para o animal. (…)

A legislação brasileira prevê o cativeiro ilegal como crime. Ela pune o traficante e o detentor do animal. (…)

O animal na natureza possui a escolha, se levanta, corre, voa pula, escolhe seus alimentos, seus parceiros reprodutivos, onde fará seu ninho ou o abrigo no qual se protegerá à noite. O tráfico de animais silvestres lhes rouba isso, seu livre arbítrio. Mas nossa legislação respalda que isso não ocorra. Adequadamente já consideramos isso como crime. Basta agora que não nos enganemos por um afeto que foi construído sobre uma história de dor.

No cativeiro doméstico os animais silvestres apenas sobreviverão, privados de suas necessidades, para deleite daqueles que os mantém cativos.  (…) Não existe justificativa para o cativeiro . Tratar bem, ter afeto, gostar, nada substitui a liberdade. O livre arbítrio dos animais depende do nosso livre arbítrio em optar pela liberdade . Deve-se optar por comprar binóculos e não gaiolas.” – Roberto Cabral, Biólogo, Mestre em Ecologia e Analista Ambiental do IBAMA.

agosto 19, 2013

“Não importa qual a simpatia ou antipatia que possamos ter por uma ou outra figura pública. A essência do jornalismo é partir de fatos cuidadosamente comprovados. Não é um diploma que faz o jornalista. Não é o lugar onde trabalha. É o rigor. (…)

Quando se discute uma guerra entre a nova e a velha mídia, o argumento está deslocado. esta é uma discussão de todo irrelevante. Tenta trazer, para o centro da conversa, a tecnologia na qual cada um se baseia. Para o jornalismo, o que importa não é o meio utilizado para veicular informação, não é a idade de quem o pratica, ou mesmo a origem profissional. O que importa é apenas o jornalismo. (…)

As manifestações que encheram as ruas brasileiras foram produto das mídias sociais. Quem apenas se informou a respeito delas pelas redes, porém, recebeu um misto de suposições, verdades, mentiras. Quem filtra o todo? Não é uma pergunta que tenha resposta. Minha suposição é bem mais simples. O jornalismo tradicional não morrerá. Porque sem rigor informativo nenhuma democracia se sustenta.” – Pedro Doria, jornalista.

agosto 18, 2013

“Ainda não se sabe quem sumiu com Amarildo, mas as explicações capengas dadas pela polícia embutem a suposição de que a sociedade engole qualquer coisa.” – Elio Gaspari, jornalista.

Um trecho do ótimo artigo “Cidadania:#vemprarua”, de Gilberto Scofield Jr.

agosto 15, 2013

“Muitos se perguntam se as passeatas que tomam as ruas do Rio desde junho são movimento de cidadania. Penso que sim, descontando os vândalos que pregam uma espécie de destruição pela destruição. Mas a afirmação da cidadania admite brigas mais sutis. A começar pela criação dos filhos na direção de cidadãos responsáveis e não bitolados pelo consumo ou pela tecnologia. (…) Do ponto de vista político, informe-se sobre os candidatos, seus passados, suas plataformas. Discuta com seus vizinhos, descubra os candidatos do bairro, em quem votam o porteiro, o comerciante, a diarista, a dondoca, a babá. Entenda por que votam assim. Puxe o assunto nos botecos locais. Não tenha medo de falar de política. Engaje-se no debate. Da discussão vem a luz e com isso, quem sabe, melhoramos a qualidade dos nossos governos locais.”

Trecho do ótimo artigo “Cidadania:#vemprarua”, de Gilberto Scofield Jr., publicado n’O Globo em 03/8/3.

Um trecho do ótimo artigo de Caetano Veloso, “Pai”:

agosto 12, 2013

Um trecho do ótimo artigo de Caetano Veloso, “Pai”, publicado em O Globo hoje, 11/8/13:

“Mas o Brasil da violência cruel contra cidadãos indefesos é mesmo digno de ser odiado. Sem alguma fúria e certa gravidade não estaremos nem mesmo pensando sobre o Brasil. Essa lição que aprendi em Deodoro, em 1968, nunca foi esquecida. E seu sentido vem à tona diante de um caso como o de Amarildo, um ajudante de pedreiro, conhecido pelos vizinhos como homem muito trabalhador, pai de seis filhos, que sumiu, repito, ao ser levado para a UPP da Rocinha. (…)  As lojas, a mídia, o povo, todos celebram neste domingo o Dia dos Pais. Que todo o país pense nesse pai de seis como o representante do Pai que dá à pátria o nome de pátria. Temos de encarar o problema da injustiça. O Brasil luminoso só surgirá se superarmos o que somos. É o nome de Amarildo que devemos repetir para todos e para cada um de nós mesmos.”

Por favor, leiam com bastante atenção o texto abaixo do jornalista Luiz Antonio Mello:

agosto 8, 2013

Por favor, leiam com bastante atenção o texto abaixo do jornalista Luiz Antonio Mello:
“Senhor Governador, não sei há quanto tempo o senhor não vem a Niterói, uma cidade abandonada pelo Governo do Estado que o senhor mal representa. Daqui o senhor arranca policiais da PM para colocar em suas UPPs na capital. Para cá vem, diariamente, dezenas, centenas de bandidos expulsos do seu Rio pelas mesmas UPPs. “Como todos nós, Alex Mariano Franco, pai de família morto com um tiro na nuca pouco depois das 5 horas da tarde de segunda-feira na movimenta da rua Visconde de Sepetiba, Centro de Niterói, pagava impostos altíssimos, em especial o seu ICMS, Governador. “Em troca? Uma bala na cabeça disparada por um bandido que, acompanhado de outros dois (sim, Governador, eram três facínoras contra um homem trabalhador) mataram este honrado e querido cidadão na calçada e saíram andando, certos de sua impunidade. Apesar até dos jornais saberem que os crápulas vivem na favela do Sabão, perto da subida da ponte. O senhor, com certeza, nunca ouviu falar de favela alguma já que rebatizou-as de “comunidade”.”
LEIA A ÍNTEGRA EM www.colunadolam.blogspot.com