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Exposição Maldita 3.0 – Espaço Cultural dos Correios – Centro (RJ)

julho 17, 2012

Excelente e imperdível a exposição “Maldita 3.0”, no Espaço Cultural dos Correios – Centro (RJ), muitíssimo bem organizada e montada sob a direção do Alessandro ALR.

Já passados 30 anos, muitas pessoas das gerações mais novas não conhecem, ou não lembram bem, da estação que marcou tanto a história do Rádio como a própria cultura no Brasil na década de 80.

Tendo participado durante alguns anos na fase inicial daquela história, eu posso afirmar como testemunha de corpo presente: a Fluminense FM – Maldita não só revolucionou o modo de se fazer Rádio, mas também afetou e modificou profundamente os rumos da Música Popular e, por tabela, da cultura no Brasil dos anos 80 e 90.

Com sua postura ousada, pioneira e independente, a Maldita FM influenciou a mentalidade e o comportamento dos jovens que começavam a respirar novos ares e buscar novas atitudes após 25 anos de uma infame ditadura militar que queria as pessoas conformadas e obedientes a padrões e instituições arcaicas e estagnadas (na política, nas escolas e também na mídia!!!)

Eu, um mero pós-adolescente com meus 18/19 anos naquela época, tive o privilégio de integrar um grupo constituído por craques da Comunicação: Luiz Antonio Mello, Sergio Vasconcellos, Amaury Santos, Carlos lacombe, Maurício Valladares, Alvaro Fernandes, Selma Boiron, Mylena Ciribelli, Claudio Salles e outros profissionais de talento incomparável! Com estas feras eu aprendi tanto que é impossível descrever em palavras.

Sendo um novato inexperiente, eu só podia colaborar com aquilo que eu tinha de mais forte: uma paixão radical e enlouquecida por Música, e mais especificamente, por ROCK!

Passei toda a minha pré-adolescência e adolescência, na década de 70, ouvindo e seguindo fielmente os Grandes Mestres: Beatles, Elvis Presley, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Doors, Santana, The Who, Pink Floyd, Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep, Blue Oyster Cult, Status Quo, KISS, Ted Nugent, Thin Lizzy, UFO, QUEEN, Wishbone Ash, YES, Genesis, Emerson, Lake & Palmer, Jethro Tull, Nazareth, Ramones, Clash, Sex Pistols, Raul Seixas, Mutantes, O Terço, Casa das Máquinas, A Bolha, Secos e Molhados, Made In Brazil, Rita Lee & Tutti Frutti, Arnaldo Baptista e Serguei.

Então, no início da década de 80 eu estava pronto e ansioso para realizar aquilo que o trabalho na Rádio Fluminense FM Maldita me deu condição de fazer (juntamente com os outros membros da equipe, claro):

Abrir (forçar, meter o pé, escancarar) as portas do meio radiofônico, e em consequência, da mídia e do mercado cultural para a nascente Nova Onda do Rock [nacional e internacional]: Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Titãs, Ultraje a Rigor, Legião Urbana, Camisa de Vênus, Plebe Rude, Inocentes, Ira!, Violeta de Outono, Lobão, Celso Blues Boy, Blues Etílicos, Sangue da Cidade, Acidente, Água Brava, Stress, Dorsal, Metalmorphose, Ratos de Porão, Cólera, Mercenárias, Coquetel Molotov, U-2, Stray Cats, The Cult, The Cure, Marillion, Iron Maiden, Saxon, Manowar, Metallica, Megadeth e Anthrax, só para citar alguns de meus favoritos.

Uma boa parte desta bela história foi muito bem contada pela Maria Estrella em seu ótimo livro “Rádio Fluminense FM – A porta de entrada do Rock Brasileiro nos anos 80” (Excelente livro! Eu recomendo!) e no sensacional filme (documentário de curta-metragem) da Tetê Mattos: “A Maldita”. (Maravilhoso! Também recomendo!!!)

Graças ao meu trabalho de divulgação do Rock – e mais especificamente do Heavy Metal, Punk Rock e Hardcore – na Rádio Maldita FM eu fui chamado para trabalhar como editor na Revista Metal, onde tive o prazer e o privilégio de estender o trabalho de divulgação do Rock Pesado para além das fronteiras do RJ, alcançando todo o território brasileiro. Mas isto aí já é uma outra história.

Enfim, recomendo a todos que visitem a ótima exposição “Maldita 3.0”!!!!

 

 

Meus adeus emocionado a Jon Lord

julho 17, 2012

Meu adeus emocionado a Jon Lord, um dos meus ídolos musicais e, sem dúvida, um dos artistas mais importantes para mim (e para toda uma geração de jovens), por ter me ensinado a beleza e a importância de ser capaz de manter a mente aberta, e os ouvidos mais ainda!

Tendo tido um avô Maestro e uma vó Maestrina, desde a infância fui criado ao som de música clássica em casa. Infelizmente, como “santo de casa não faz milagre”, eu não soube apreciar e dar o devido valor à educação musical que meus avós me deram naquela época. Me arrependo profundamente de não ter podido agradecer aos dois pela magnífica educação musical que me proporcionaram quando eles ainda eram vivos. Na pré-adolescência me apaixonei perdidamente pelo Rock e passei a ouvir somente este tipo de música durante muitos anos! Pois foi justamente graças a Jon Lord que vim a recuperar meu interesse e resgatar minhas raízes de formação musical com a música erudita. Graças a Jon Lord – principalmente, pois o Deep Purple é meu grupo favorito de Rock Pesado ao lado do Black Sabbath – mas também graças a Keith Emerson (E, L &P) e Rick Wakeman (YES), eu despertei para o fato que a Música é uma Divindade ampla, infinita, democrática, que abraça e acolhe todos os seus adoradores, sem limites e distinções.

Curiosamente, poucos dias atrás eu estava ouvindo o álbum “Sarabande”, de Jon Lord, seu primeiro trabalho-solo (se não me falha a memória), dos anos 70, quando ainda fazia parte do Deep Purple. Ouvia o álbum e pensava na maravilha que é ser eclético, não ser limitado e obtuso. Fico maravilhado com a capacidade de um artista, como Lord, ser capaz de estraçalhar os teclados no mais radical Rock Pesado e, ao mesmo tempo, gravar um disco de pura Música Clássica, erudita (com alguns toques jazzísticos em algumas faixas). Que habilidade fantástica e que talento genial!

Não só por sua magnífica Música, mas por sua atitude que ensinou a milhões de ouvintes e músicos a importância e a beleza do ecletismo, de ter a mente aberta e um espírito democrático nas Artes… MEUS ETERNOS AGRADECIMENTOS, JON LORD!!!!!