Archive for junho \30\UTC 2011

Em homenagem à brava juventude da Grécia que está indo às ruas demonstrar sua insatisfação com as decisões tomadas nos centros de poder isolados do povo, reproduzo um extrato do ótimo texto na contracapa do livro “Urgência das ruas”, da Editora Baderna: “Quem imaginaria que, exatamente no momento em que o Poder estava mais certo que vencera a tudo e a todos, eles apareceriam? E eles vieram, não como um grupo de bolcheviques, mas como muitos blocos de carnaval, para estragar a festa do Dinheiro. Quando a grande mídia tinha olhos apenas para Wall Street e o Vale do Silício, eles apareceram em Seattle, Chiapas, Porto Alegre, Praga, Washington, Londres, Quebéc, São Paulo, Paris, Gênova e em todos os lugares, incluindo Wall Street e o Vale do Silício. Os mantenedores da ordem foram tomados pelo pânico: “cadê aquela juventude de tão saudável apatia?” (…)

junho 30, 2011

Compartilhando mais um texto do grande Leonardo Boff: “Uma nova sociedade ou um tsunami social-ecológico?” Leonardo Boff – Teólogo/Filósofo No último artigo aventei a idéia, sustentada por minorias, de que estamos diante de uma crise sistêmica e terminal do capitalismo e não de uma crise cíclica. Dito em outras palavras: foram destroçadas as condições de sua reprodução seja por parte da devastação da natureza e dos limites alcançados de seus bens e serviços seja por parte da desorganização radical das relações sociais, dominadas pela economia de mercado com a predominância do capital financeiro. A tendência dominante é pensar que se pode sair da crise, voltando ao que era antes, com pequenas correções, garantindo o crescimeno, resgatando empregos e assegurando lucros. Portanto, continuarão os negócios as usual. As biblionárias intervenções dos Estados industriais salvaram bancos, evitaram uma derrocada sistêmica, mas não transformaram o sistema econômico. Pior ainda, as injeções estatais facilitaram o triunfo do capital especultivo sobre a economia real. Aquele é tido com o principal deslanchador da crise, comandado por verdadeiros ladrões que colocam o lucro acima do destino dos povos, como se viu agora com a Grécia. A lógica do lucro máximo está destruindo os indivíduos, as relações sociais, penalizando os pobres, acusados de dificultar a implanação do capital. A bomba foi mantida com o estopim. Um problema maior qualquer poderá acender o estopim. Muitos analistas se perguntam amedrontados: a ordem mundial sobreviveria a outra crise do tipo da que tivemos? O sociólogo francês Alain Touraine assevera em seu recente livro Após a crise (Vozes 2011): ou a crise acelera a formação de uma nova sociedade ou vira um tsunami que poderá arrasar tudo o que encontrar pela frente, pondo em perigo mortal nossa própria existência no planeta Terra (p. 49.115). Razão a mais para sustentar a tese de que estamos face a uma situação terminal deste tipo de capital. Impõe-se a urgência de pensar valores e princípios que poderão fundar um novo modo de habitar a Terra, organizar a produção e a distribuição dos bens, não só para nós (superar o antropocentrismo) mas para toda a comunidade de vida. Este foi o objetivo da produção da Carta da Terra, animada por M. Gorbachev que, como ex-chefe de Estado, da União Soviética, conhecia os instrumentos letais disponíveis para a destruição até da última vida humana, como afirmou em várias reuniões. Aprovada pela UNESCO em 2003, ela contém, efetivamente, “princípios e valores para um modo de vida sustentável como critério comum para indivíduos, organizações, empresas e governos”. Urge estudá-la e deixar-se inspirar por ela, sobretudo agora, na preparação da Rio+20. Ninguém pode prever o que virá após a crise. Há apenas insinuações. Estamos ainda na fase do diagnóstico de suas causas profundas. Lamentavelmente são sobretudo economistas que fazem análises da crise e menos sociólogos, antropólogos, filósofos e estudiosos das culturas. O que está ficando claro é o seguinte: houve um triplo descolamento: o capital financeiro se descolou da economia real; a economia em seu conjunto, da sociedade; e a sociedade em geral, da natureza. Esta separação criou uma fumaça tal que já não vemos quais caminhos seguir. Os “indignados” que enchem as praças de alguns paises europeus e do mundo árabe, estão colocando este sistema em xeque. Ele é ruim para a maioria da humanidade. Até agora eram vítimas silenciosas. Agora gritam alto. Não só buscam emprego mas reclamam direitos humanos fundamentais. Querem ser sujeitos, vale dizer, atores de um outro tipo de sociedade na qual a economia esteja a serviço da política e a política a serviço do bem viver das pessoas entre si e com a natureza. Seguramente não basta querer. Impõe-se uma articulação mundial, a criação de organismos que viabilizem um outro modo de conviver e uma representação política ligada aos anseios gerais e não aos interesses do mercado. Trata-se de refundar a vida social. Por mim, vejo os indícios, em muitas partes, do surgimento de uma sociedade mundial ecocentrada e biocentrada. O eixo será o sistema-vida, o sistema-Terra e a Humanidade. Tudo deve servir a esta nova centralidade. Caso contrário, dificilmente evitaremos um tsunami ecológico-social possível.” Leonardo Boff é autor de Opção-Terra. A solução para a Terra não cai do céu. Record 2010.

junho 30, 2011

Faço minhas as palavras do Mestre Rubem Alves: “Não tenho religião. Tenho sob suspeita todas as instituições religiosas. Mas tenho “sentimentos religiosos”. Para ter sentimentos religiosos eu não preciso ser adepto de religião alguma; não preciso acreditar em nada. Sentimentos não acreditam. Eles simlesmente “são”. Comovo-me com um pôr-do-sol, sinto saudades, fico alegre numa manhã radiosa e fresca. Para isso não preciso acreditar em nada. Basta-me estar vivo. Assim são meus “sentimentos religiosos”: não dependem nem mesmo que eu acredite em Deus.” Rubem Alves: 1999.

junho 30, 2011

Então o fascistóide Nazi-inger, isto é, Ratzinger, tá fazendo 60 ânus, ops, anos de (maus) serviços prestados?!? Eu dou meus vivas a… Leonardo Boff, este sim, uma ótima pessoa, vítima da perseguição nefasta da mafiosa congregação da fé (fé???hahaha!!!) liderada pelos fascistas do Vaticano…

junho 29, 2011

Reproduzo um trecho da Carta de Princípios da Federação Anarquista do RJ (FARJ) publicado no fanzine anarquista O Berro: “Sem amos ou dogmas, os militantes libertários seguem defendendo a inserção social nas questões mais prementes de suas vidas. Tal relação coloca nas mãos do povo e demais grupos organizados a tarefa de modificar tudo a favor de todos. Pensamos que a Anarquia esteve presente nas sociedades sem classes de ontem, e continua, nas de hoje, não por representar o resultado de contradições econômicas, mas por expressar, na mais plena forma, o desejo de Liberdade comum a todos os indivíduos e coletividades através dos tempos. Para tanto, o Anarquismo serviu, nos séculos XIX e XX, como importante inspiração para a luta contra a burguesia, assim como deverá determinar os padrões éticos da futura Sociedade Anárquica.”

junho 29, 2011

Compartilhando um texto do grande Leonardo Boff: “Crise terminal do capitalismo? Leonardo Boff – Teólogo/Filósofo Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adapatar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação. A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo. A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível. O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural. Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugual 12% no pais e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina. A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos paises periféricos. Hoje é global e atingiu os paises centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentitentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamene nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas. Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil. As ruas de vários paises europeus e árabes, os “indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhois gritam: “não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumo-sacerdotes do capital globalizado e explorador. Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da super-exploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.” Leonardo Boff é autor de Proteger a Terra-cuidar da vida: como evitar o fim do mundo, Record 2010.

junho 29, 2011

Um ótimo trecho da (sempre ótima) coluna Pop Cult do Felipe Hirsch no jornal O Globo (de ontem, 27/6/11): “Tenho pedido insistentemente em redes sociais e espaços, ao meu alcance, que jovens dividam suas paixões e não seus ódios. Que falem sobre seus discos, filmes, peças, livros preferidos. Esqueçam por um momento o que odeiam. Não há mais tempo para ser um cínico. O amor é uma força mais assustadora do que o cinismo. É com ele que você lapidará seu mundo. É com ele que você honrará seu espaço.” Eu concordo totalmente!

junho 28, 2011

Notícia do jornal O Globo de 24/6/2011: “Cerca de 1 milhão de fiéis, de acordo com a PM, participaram da 19a edição da Marcha para Jesus, em São Paulo, a maior concentração de evangélicos do mundo”. Por Baco!!!!Isso em São Paulo, uma das mais importantes metrópoles do mundo ocidental e um dos (supostos, pelo visto) centros culturais do Brasil!!! Eu tou no planeta errado!!!Socorro!!!Cadê meu disco voador???Quero voltar pro meu planeta já!!!!

junho 24, 2011

Uma das coisas que mais me deixam louco de raiva é quando “zapeio” pelos canais da TV a cabo e vejo a enorme quantidade de canais ligados a religiões (cristãs) infestando o menu de programação. A minha provedora inclui estes canais no meu pacote como se fosse um “plus”- uso este termo de propósito, pra soar mostrar como soa babaca o discurso dos marqueteiros idiotas de hoje em dia, que AINDA acham que falar termos em inglês é chique. Voltando ao tema, a provedora oferece estes canais como algo que eu quisesse ter; a verdade é que eu tenho tanto NOJO destes canais que eu PAGARIA PRA NÃO TÊ-LOS!!! Quando vejo a quantidade de sacripantas que exploram a fé ingênua dos otários (mais impressionado fico com a quantidade de otários existentes!), fico extremamente decepcionado com este povo. Aí, inesperadamente, minha fé na raça humana volta a ganhar uma sobrevida quando tenho a oportunidade de constatar que ainda existe vida pensante no mundo, e no Brasil!!! Aqui está o exemplo: um trecho do artigo publicado no jornal O Globo em 22/6/11 escrito pelo magistral Marco Lucchesi, mais novo integrante da Academia Brasileira de Letras, um magnífico intelectual de nossos tempos: “A riqueza do Brasil repousa na sua história multicultural. Não posso acreditar que o Ministério Público esteja adormecido. A política de concessão de canais de comunicação deve garantir uma orientação efetivamente democrática, sem favorecer qualquer religião em particular e nem tampouco fechar os olhos aos desvarios de projetos comerciais & religiosos tão indecentemente conjugados”. Parabéns ao imortal Marco Lucchesi por seu texto, um sopro de inteligência em meio ao deserto intelectual que nos cerca.

junho 24, 2011

Assassinatos de ambientalistas e líderes comunitários camponeses: “Nos últimos dez anos, o estado do Pará registrou 219 mortes no campo, mas houve apenas quatro condenações em consequência desses crimes. De acordo com o Ministério Público, em 37 casos, não foi sequer instaurado um inquérito para investigar as possíveis causas desses homicídios”. (notícia publicada na coluna Eco Verde, do jornal O Globo, 23/6/11) VERGONHA ABSOLUTA PARA A NAÇÃO BRASILEIRA!!!!

junho 24, 2011