Archive for abril \26\UTC 2010

Reproduzo do site “Voz do Brasil”, do amigo Chico Lobo, artigo importantíssimo de Márcia Vieira no jornal O Estado de São Paulo. Dízimo de evangélicos vão pras campanhas politica milionárias de seus pastores Doações de evangélicos superam R$ 1 bi por mês O Estado de S. Paulo Com mais adeptos, a Igreja Católica arrecada menos dinheiro, que tem como um dos destinos as campanhas politicas, segundo especialistas De Márcia Vieira: As igrejas evangélicas no Brasil recolhem por mês entre seus fiéis mais de R$ 1 bilhão – precisamente R$ 1.032.081.300,00 num único mes. A Igreja Católica, que tem mais adeptos espalhados pelo País, arrecada menos: são R$ 480.545.620,00 em doações. Os números estão na pesquisa sobre religião realizada pelo Instituto Análise com mil pessoas em 70 cidades brasileiras. Entre os evangélicos, as igrejas que mais recolhem são as pentecostais, como a Assembleia de Deus, e neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus. Cada fiel doa em média R$ 31,48 – mais que o dobro das esmolas que os católicos deixam nas suas paróquias (R$ 14,01). E para onde vai tanto dinheiro? Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Análise, aposta que os políticos evangélicos são um dos destinatários. “Parte desse dinheiro é usada para financiar campanhas, sem que os próprios fiéis dêem conta dessa destinação. É só reparar no aumento dos candidatos evangélicos e no fato de os não-evangélicos cortejarem as igrejas nas campanhas.” O cientista político Cesar Romero Jacob, autor do Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil, se diz surpreso com a queda de “15 pontos porcentuais” no número de fiéis da Igreja Católica. Mas não tem dúvida sobre a força dos pentecostais e neopentecostais no voto do brasileiro. Nas periferias, acordos com pastores e partidos populistas. “O debate político é intenso sobretudo na classe média das grandes cidades. Nos grotões e na periferia o que funciona é a máquina. Seja ela das igrejas pentecostais, dos populistas ou das oligarquias.” Doações de evangélicos superam R$ 1 bi por mês Figura polêmica, o Bispo Macedo, fundador da Universal do Reino de Deus, é conhecido pela maioria dos brasileiros. Mas sua imagem não é das melhores. Para 70% dos entrevistados, “ele usa o dinheiro da Universal para enriquecer, comprar empresas de comunicação e ampliar seu domínio político-econômico”. Entre os próprios evangélicos, 57% têm essa impressão. Apenas 18% de seus próprios seguidores dizem que “ele é bom e tudo o que faz com o dinheiro da Universal é para o “bem” de seus fiéis”. É o paradóxo da fé cristã e da religiosidade em geral, onde um sacerdote é visto com maus olhos pelos seus fiéis, mesmo assim concordam com suas práticas mercantilistas. A pesquisa mostra que a estratégia de recolher doações funciona muito bem, sobretudo na Universal. “Os pastores falam de dinheiro o tempo todo”, constata a antropóloga Diana Lima, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio, o Iuperj. “Além do dízimo, os fiéis são estimulados a fazer propósitos com Deus e pagam por isso.” O Bispo Macedo, que responde a processo criminal por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, levou ao máximo a Teologia da Prosperidade, criada por americanos no início do século 20. “A relação com Deus é de contrato. Não se espera a salvação para depois da morte. O que interessa é o aqui e agora”, analisa Diana, que há cinco anos frequenta cultos, para entender o que move uma pessoa pobre a doar o pouco que tem para Macedo e seus pastores. Diana defende a tese de que a Universal estimula o empreendedorismo dos fiéis. “Não é aquele negócio de pedir uma casa a Deus e ficar esperando que caia do céu. Não. Eles querem oportunidades. E sobretudo não querem mais ser humilhados.” Ela destaca que os pastores falam muito nisso. “Quem tem dinheiro se locomove confortavelmente no seu carro, não passa pela humilhação de andar no trem.” – O discurso se baseia na lógica do dinheiro. “Os fiéis investem agora, dando dinheiro à igreja nesse acordo com Deus, para ter o lucro lá na frente.” Um tipo de “carnet da felicidade” para apostar a sorte contra Deus. Nessa “Teologia da Prosperidade”, a espiritualidade humana é renegada a último plano em benefício de um selvagem modelo de competição capitalista, onde Deus é entendido como um mero caixeiro do “jogo do Bicho”. Quanto mais se aposta, mais supostas chances de “ganhar”. E se o fiel não ganha, a culpa não é da roleta, mas sim da falta de “fé” do próprio fiel-apostador. Na perda econômica do fiel, não há “culpados” nem fraudes visíveis, e a igreja continua aumentando seu caixa. Diana comprovou que os fiéis não se incomodam com o enriquecimento dos pastores. “Uma das explicações é que o pastor está num lugar “santificado”. Então, faz sentido estar economicamente bem.” Quando ouvem acusações de desvio de dinheiro, como a que levou o casal Estevam e Sonia Hernandes, líderes da Igreja Renascer, para a cadeia, preferem não julgar. “Os fiéis acham errado, mas defendem que cada um tem de se preocupar com seu compromisso econômico diante de Deus. Isso não desautoriza a igreja.” Enfim, grande parte desse dinheiro arrecadado vai manter campanhas politicas de pastores para aumentar a representação evangélica no Congresso, e muito além da proporcionalidade do número de evangélicos no Brasil. Mas essa representação política é uma faca de dois gumes. Com o poder político nas mãos os pastores deputados criam mais leis que privilegiam suas práticas abusivas de enriquecimento e inocentam o uso mercantilista da fé, transformando a religiosidade dos fiéis no negócio mais rentável do país, livres não só dos impostos que recaem sobre todos os demais empresários e trabalhadores, como também desobriga de declarações ao fisco, o que causa injusto protecionismo com esse tipo de negócio diante de todas as outras camadas produtivas da sociedade.

abril 26, 2010

Quer dizer que esta (suposta) igreja evangélica, liderada por uma gangue de picaretas que engana e rouba descaradamente o povão otário, consegue reunir um milhão de pessoas em um evento no Rio de Janeiro, a (suposta) capital cultural do país???!!! É, estamos mesmo muuuuuiiitoooo mal !!!!!!!

abril 23, 2010

Eu queria escrever mais sobre os evangélicos “tarados por dinheiro”, que são capazes de vender a própria mãe pra comprar uma escritura de posse de um “terreninho no céu” vendida por algum dos inúmeros pastores picaretas que abundam por aí. Eu também queria escrever sobre os broncos fundamentalistas islâmicos, que fazem da sua religião um sinônimo de guerra, violência, terrorismo, machismo absurdo, obscurantismo e alienação espantosa. Mas os católicos não me dão chance pra isto. (risos)… Toda hora surge algum novo absurdo emanado do Vaticano, impossível de deixar passar em branco. Primeiro foi o Rato, ops, digo, o Ratzinger, atacando o sincretismo presente nas manifestações religiosas brasileiras. Bem feito para os iludidos e ingênuos que algum dia acreditaram (eu nunca acreditei!) na falsa imagem de tolerância religiosa vendida pelos católicos pra enganar os bobos. O cristianismo, seja católico ou protestante, sempre agiu da mesma forma, característica a todos os tipos de imperialismo: arrasar a concorrência! Não sendo possível eliminar por completo os concorrentes, o negócio é fingir incorporar as tradições religiosas “erradas” cultivadas pelo público-alvo (como se deu no Brasil com as indígenas e africanas). Mas sempre foi óbvio (ao menos pra mim) que esta incorporação é pura fachada, visando de fato eliminar os traços originais das “outras” tradições. Os cristãos nunca estiveram verdadeiramente interessados em se abrir para / aprender com as outras tradições religiosas; isto não faz parte de sua cultura, nem eles são ensinados a fazer isto de verdade. Não sei se esta nova estupidez do Ratzinger teve como objetivo “fazer uma cortina de fumaça” para ajudar a ocultar o assunto da pedofilia nas igrejas católicas. Mas, certamente, este foi o objetivo do cardeal italiano imbecil (me foge o nome agora, rs…) que afirmou que a culpa da pedofilia nas igrejas católicas é do… homossexualismo! HAHAHAHAHA! Ou seja, como sempre, os mestres da dissimulação mudam o foco da conversa pra tentar fugir de novo, a todo custo, de fazer uma revisão e uma autocrítica de sua política interna. Mesmo arriscando perder a pouquíssima credibilidade que ainda lhe resta, a igreja não admite deixar de ganhar um único centavo, proibindo os padres de casar e juntar posses para formar família. Conservadorismo radical é isso aí! Eles preferem a autodestruição à modernização!

abril 19, 2010

A Imprensa Operária no Brasil Primeiramente, é preciso reconhecer que o termo imprensa operária pode ter mais de um significado. Este pode aplicar-se a um tipo de imprensa produzido por operários, mas também a uma imprensa produzida para o público operário por pessoas que não necessariamente fazem parte desta classe social. Igualmente, a imprensa operária pode ou não ser partidária, ou seja, pode estar diretamente vinculada a um ou mais partidos operários ou não estar ligada a nenhum partido. O que realmente importa a respeito da imprensa operária é o seu papel fundamental na organização da classe trabalhadora e na sua luta por melhores condições de vida. No Brasil, a imprensa operária passou por três fases de desenvolvimento. A primeira delas está ligada ao início do processo de urbanização do país, simultaneamente à industrialização das grandes cidades e à chegada dos primeiros trabalhadores imigrantes vindos do exterior. A segunda fase vai desde o surgimento do Partido Comunista Brasileiro (PCB) até o Golpe de 64, incluindo também um acontecimento de grande importância histórica: o Getulismo. Colocando os sindicatos sob o controle do Estado, o presidente Getúlio Vargas acabou criando um tipo de imprensa sindical-partidária. A terceira etapa está ligada à reorganização do movimento operário após o período de dura repressão por parte da ditadura militar pós-64, com o atual período de luta por melhores salários e mais liberdades democráticas. A primeira fase da imprensa operária no Brasil, ou seu surgimento propriamente dito, está inegavelmente ligada ao processo de politização do operariado brasileiro iniciado com a chegada ao país dos operários imigrantes. Com o final da exploração da mão de obra escrava negra, os grandes cafeicultores brasileiros juntamente com o governo passaram a estimular a vinda de imigrantes pobres para o nosso país, a fim de trabalhar nas plantações de café. No entanto, ao chegar no Brasil os imigrantes encontravam condições de vida bem similares àquelas das quais tinham fugido em seus países de origem. Os contratos de trabalho injusto, que muitas vezes nem eram cumpridos conforme estipulados, e as péssimas condições de moradia e trabalho estimularam os estrangeiros a se organizar para a luta por melhores condições. Alemães, japoneses e, principalmente, espanhóis e italianos traziam de seus países as pioneiras experiências de luta no desenvolvimento do socialismo. Esta conscientização política seria fundamental para formar a consciência dos trabalhadores brasileiros sobre seus direitos civis e trabalhistas. De fato, a importância da imprensa operária na organização, mobilização e politização da classe trabalhadora foi destacada por Lênin em mais de uma ocasião. Segundo o líder do movimento operário russo, os trabalhadores não contavam com nenhum outro meio de comunicação que divulgasse os seus direitos e reivindicações, o que explicava a necessidade da imprensa operária. Lênin também destacava a importância dos jornais para unificar as lutas dos operários e debater as questões fundamentais da classe trabalhadora. Os primeiros jornais da imprensa operária no Brasil foram quase todos feitos por trabalhadores estrangeiros; sendo editados em idioma alemão, espanhol ou italiano e outros eram bilíngües, ou seja, tinham textos em português e no idioma original estrangeiro. A maioria destes jornais eram de orientação anarquista ou anarcossindicalista, tendências ideológicas predominantes antes da década de 20. Poucos jornais eram distribuídos regularmente; alguns eram editados uma única vez e desapareciam de circulação em seguida e outros circulavam com grandes intervalos. Essa vida irregular dos jornais operários tinha dois motivos principais: as dificuldades financeiras, pois quase não havia publicidade nos mesmos e o seu público leitor era composto de trabalhadores de baixo poder aquisitivo. O segundo motivo era a perseguição por parte do Estado; o governo brasileiro considerava a luta social por parte dos trabalhadores um caso de polícia e freqüentemente invadia as oficinas onde eram impressos os jornais, quebrava as máquinas e prendia os operários. Mesmo com todas estas dificuldades e repressão, os trabalhadores conseguiram continuar editando seus jornais, que tiveram um papel fundamental na luta da classe operária brasileira. Estudiosos apontam a relação direta entre o aumento do número de jornais operários e o surgimento das greves trabalhistas, comprovando a atuação destes jornais como eficiente instrumento de mobilização e politização da classe trabalhadora no Brasil. Paulo Sisinno

abril 19, 2010

“Socialismo”, por Paulo Sisinno. INTRODUÇÃO: “Desejamos abolir de forma radical a dominação e a exploração do homem pelo homem. Queremos que os homens, unidos fraternalmente por uma solidariedade consciente, cooperem de modo voluntário com o bem-estar de todos. Queremos que a sociedade seja constituída com o objetivo de fornecer a todos os meios de alcançar igual bem-estar possível, o maior desenvolvimento possível, moral e material. Desejamos para todos pão, liberdade, amor e saber.” Errico Malatesta Segundo alguns de seus estudiosos, o Socialismo é tão antigo quanto a própria humanidade; isto é, a vida humana em coletividade. De fato, a noção de um “bem-estar de todos”, conforme a citação de Malatesta na introdução deste trabalho, é algo tão antigo quanto a nossa cultura, seja ocidental ou oriental. Na bíblia dos cristãos, um dos textos básicos de formação da cultura e ideologia da civilização ocidental, podemos ler discursos atribuídos a Jesus de Nazaré exortando seus discípulos a repartir os alimentos e auxiliar os menos favorecidos da sociedade. De igual maneira, o profeta Maomé pregava que é dever sagrado do devoto maometano compartilhar o alimento com aqueles que têm fome. Apesar das diferentes interpretações dadas aos textos destas duas religiões, algumas com uma nítida tendência a promover o conformismo social, é impossível não reconhecer a semelhança de tais propostas com as idéias dos socialistas. Ademais, podemos ainda recordar uma famosa frase atribuída a Jesus: “- … não vim trazer a paz, mas a espada.”, que muitos interpretam como uma afirmação em favor da revolução social, antes que da manutenção de um status quo injusto ou ilegítimo. – O que é o Socialismo? Com o objetivo de definir o que vem a ser o Socialismo, recorremos a alguns de seus mais conhecidos teóricos de diversos países e épocas. 1) Karl Marx: Segundo o filósofo alemão Karl Marx, a ideologia é o fenômeno pelo qual as idéias e representações que os homens elaboram a respeito de suas realidades são tomadas como sendo o próprio real, ou seja, “os produtos das cabeças dos homens acabam por se impor a suas próprias cabeças”. É uma forma de conhecimento imediato das relações sociais que não vai além das aparências do real, portanto uma visão superficial, que faz com que tomemos como causas dos fenômenos os seus efeitos, por isso é uma visão invertida da realidade. Para Marx, o primeiro aspecto que possibilita o surgimento de uma pseudo consciência é a divisão entre trabalho intelectual e trabalho manual, é a partir dessa divisão que a consciência pode pretender “representar realmente algo sem representar algo real”, ficando em condições de “entregar-se à criação da teoria, da filosofia, da teologia, da moral etc., ‘puras’ “. O outro aspecto básico que possibilita o aparecimento da ideologia é a cisão da sociedade em classes sociais antagônicas e em contradição. Contradição esta, que cria a necessidade por parte da classe dominante, para se manter no poder, de apresentar seus interesses particulares como sendo interesses universais. E o mecanismo utilizado para a realização desta verdadeira feitiçaria é a ideologia. Portanto, a principal função da ideologia é justamente fazer com que as pessoas não consigam enxergar e perceber as mediações e contradições que formam a realidade. Com efeito, a ideologia é “justificação”, é um instrumento de dominação de classe, que serve para manter um status quo. Segundo Marx, a religião é eminentemente uma ideologia, é uma justificação e uma forma de consolação, e a crítica da religião é o pressuposto de toda crítica, isto é, a crítica da religião enquanto ideologia leva-nos para além da religião, desvenda as mediações existentes entre o Estado, as classes dominantes e a forma de organização social existente. Portanto, a religião seria uma espécie de véu que encobriria a real configuração das coisas e a crítica da religião é a responsável pela retirada deste véu, possibilitando assim, que o homem reconheça que não existe outra realidade a não ser aquela que ele mesmo constrói quotidianamente por meio de seu atos e que não há nenhum ser “acocorado fora do mundo” regendo seus passos e decisões. Para Marx, a compreensão de que o próprio homem é o responsável pela criação e mudança do mundo onde vive é essencial, mesmo que este não possua autonomia necessária para individualmente transformar esta realidade, pois a transformação se processa socialmente e de forma coletiva. 2) Mikhail Bakunin: Embora inicialmente tenha se baseado nas teorias de Marx e Proudhon, o russo Mikhail Bakunin posteriormente dissociou-se destes e criou sua própria teoria sobre o Socialismo.” Em 1868, ele participou da Primeira Internacional (encontro internacional dos socialistas de diversos países), onde apresentou sua doutrina, que contrastava com a dos Marxistas. Bakunin não acreditava na política parlamentar e concordava com Proudhon que dizia que o voto universal era contra-revolucionário. Ao invés disso, ele acreditava na organização de massa, no coletivismo e era, acima de tudo, contra o Estado. Bakunin propunha que, no lugar do Estado, deveria ser criada uma federação livre de associações populares autônomas, com direitos de secessão e completa liberdade pessoal. 3) Errico Malatesta: Nascido na Itália, Errico Malatesta tornou-se socialista e membro da Primeira Internacional, tendo recebido muita influência das idéias de Bakunin. O grande socialista italiano defendia os princípios da ação direta, ocupação de terras improdutivas e da greve geral como arma dos trabalhadores na luta contra a exploração dos patrões. Malatesta empenhou toda a sua fortuna pessoal em prol da causa socialista. 4) Pierre Joseph Proudhon: Proudhon foi um dos poucos grandes líderes revolucionários de origem genuinamente plebéia, pois seu pai era um artesão. Somente graças a bolsas de estudo é que pôde terminar os seus estudos. Em 1840, em Paris, seu trabalho “O que é a Propriedade?” foi publicado e causou sensação com a tese de que a propriedade constitui um roubo e uma impossibilidade. Suas publicações posteriores apenas aumentaram a sua reputação como radical. Proudhon teve contato com as idéias Marxistas, mas logo rejeitou esta doutrina, buscando ele próprio um caminho intermediário entre as teorias socialistas e a economia clássica. Proudhon defendia a idéia do crédito livre e do câmbio eqüitativo. Em 1848 ele tentou a fundação de um banco popular. Entretanto, suas atividades políticas levaram-no à prisão. Seu trabalho teve grande influência sobre os trabalhadores franceses na Internacional, os quais defenderam as soluções propostas por ele como o crédito livre e o câmbio eqüitativo sem uma ditadura do proletariado. Marx inicialmente admirou suas teorias contra a propriedade mas posteriormente atacou suas idéias. Proudhon publicou muitos trabalhos sobre jurisprudência, política econômica, sobre as noções de Estado e a propriedade. Entre estes encontram-se: “Sistema das Contradições Econômicas ou a Filosofia da Pobreza”; “Confissões de um Revolucionário”, “O Principio da Federação” e “Necessidade de Reconstrução do Partido Revolucionário “. 5) William Godwin: Godwin foi um político inglês que teve importante papel como intérprete na Inglaterra das idéias dos Enciclopedistas franceses. Para ele, a sociedade ideal é fortemente igualitária e autenticamente anárquica, embora ele admitisse que para alcançarmos este estágio seria necessária uma transição democrática, com um gradual desaparecimento do Estado. Godwin defendia intensamente a anti-violência e o racionalismo e sua doutrina pregava uma total alteração no relacionamento humano. Ele preferia ignorar as condições econômicas e defender um tipo de psicologia individualista, argumentando que a educação e o condicionamento social são os fatores principais na formação do caráter. Seu principal trabalho, “Investigação sobre a Justiça Política”, desenvolve a tese de uma escola pré-revolucionária, com o argumento do aperfeiçoamento do ser humano através da refutação de teorias contraditórias e do exame de tais condições como forma de aperfeiçoar a comunidade humana. No debate filosófico sobre a bondade natural do ser humano, Godwin argumentava que o homem é capaz de atos de benevolência genuinamente desinteressada. CONCLUSÃO: Com os trechos acima, exemplificamos algumas das principais idéias e teorias socialistas defendidas por importantes teóricos de vários países em diferentes épocas históricas. Desta forma, procuramos definir e traduzir uma idéia que é muito ampla e antiga; e que pode ter diferentes significados e importância para o ser humano, de acordo com a sua cultura e ideologia. Por outro lado, é possível constatar que tal concepção sempre esteve presente na sociedade humana. Podemos reconhecer algumas características e semelhanças das teses dos grandes socialistas com as idéias de filósofos como J. J. Rousseau (a desigualdade associada com a propriedade; a bondade natural do homem corrompida pela “moral” social) e John Locke (o Estado e sua função como “regulador” da vida social). Poderíamos ainda falar sobre outras teses e teorias associadas ao Socialismo, em épocas e locais mais distantes. Entretanto, consideramos ser impossível abranger toda a complexidade e sutileza de uma idéia que, possivelmente, “desde sempre” tem feito e continuará fazendo parte da experiência e da vida humana no planeta. Paulo Sisinno Bibliografia: – MALATESTA, Errico. Escritos Revolucionários. Ed. Imaginário. 2000. – Internet, site Freedom Press.

abril 19, 2010

“A mulher e sua condição de desigualdade na sociedade” O inesquecível compositor, músico e intelectual John Lennon, que também era ativista pelos direitos humanos em um sentido muito amplo, escreveu certa vez uma canção com o título “Woman is the nigger of the world” (“A mulher é o negro do mundo”). De forma inteligente, Lennon comparava a situação da mulher no mundo todo com a situação do povo negro, o qual foi escravizado e forçado a trabalhar para a prosperidade dos seus exploradores. Apesar de ser um profundo admirador do grande escritor e músico inglês, não acho que a comparação seja inteiramente cabível, mesmo tendo claros pontos em comum. Vejamos primeiramente onde ambas as histórias se parecem. Concordo que, assim como a prosperidade do mundo ocidental foi construída em grande parte graças aos braços negros escravizados ou mal pagos, também os homens – isto é, os machos da espécie humana- devem grande parte de seu bem-estar aos cuidados e serviços das mulheres, os quais ainda são pouco reconhecidos ou valorizados. Assim como os negros foram condicionados, seja a ferro e sangue, seja através de mensagens subliminares em livros, filmes e na história oficial a ter um comportamento submisso e a trabalhar em condições desumanas sem protestar nem se rebelar, as mulheres também recebem, desde a infância, toda uma programação psicológica para se comportarem como criaturas dóceis, sentimentais e submissas, e para se posicionarem em segundo plano em relação aos homens. Passemos às diferenças que, a meu ver, existem entre estes dois casos. Apesar de serem tratados com violência quando se rebelavam ou tentavam fugir (como, de resto, também costuma acontecer com muitas mulheres até hoje), os negros nunca se acomodaram totalmente com a condição de escravos. Alguns, para sobreviver, esperavam o momento certo de fugir ou protestar. Porém, acho difícil imaginar algum negro apregoando as vantagens da escravidão. O mesmo não acontece com as mulheres: podemos ver, por toda parte, mulheres que defendem o machismo com mais ênfase que os próprios homens. Embora seja verdade que, a partir do século vinte, muitas mulheres tiveram a coragem de dizer não ao Sistema e à moral social vigente (a qual, não custa lembrar, é conservadora e machista), também é verdade que este mesmo Sistema e esta mesma moral são perpetuados tanto pelos homens como, principalmente, pelas mulheres. Digo principalmente porque são exatamente as mulheres que mais transmitem aos seus filhos e filhas as noções convencionais da sociedade, tais como estas ainda se apresentam. Em outras palavras, são as mães as principais responsáveis por reforçar nas crianças alguns conceitos muito repetidos e pouco questionados como: “Menino usa roupa azul, menina usa roupa rosa”; “Menina deve brincar de boneca, meninos de carrinho ou revólver”; “Menina não sobe em árvore, isto é coisa para menino” e “Menina brinca de casinha, de fazer comidinha para o marido”. Mas não será que a menina ganha boneca para aprender, desde cedo, a cumprir o papel de parideira e cuidadora de crianças? Talvez aí se explique a falta de gosto ou de preparo – da qual as mulheres tanto reclamam – dos homens para cuidar de crianças. Mas vá você, cara leitora, ter a ousadia de dar uma boneca para o seu filho ou um carrinho para a menina. Se tiver tal coragem, aí sim, poderemos dizer que você está fazendo algo realmente significativo e concreto para mudar as coisas. Atualmente, muitos negros já perceberam o sistema de condicionamento psicológico que existe por trás dos apresentadores de tevê brancos, dos padrões de beleza ditados por brancos, das bonecas Suzie e Barbie, dos papéis de empregados e serviçais reservados para eles em filmes e novelas. Algumas mulheres, a partir de meados do século XX, também se deram conta e passaram a protestar contra o papel social reservado para elas como sendo o modelo do que é certo e sagrado: “a santa mãe”, “a rainha do lar”, “a noiva feliz”. Porém, tais heroínas que ousaram falar mais alto e questionar o papel traçado para todas as mulheres tiveram que pagar um preço, às vezes bem alto, tal como os grandes resistentes negros como Zumbi, Ganga Zumba, Luther King, Malcom X e outros. Em vista disso, concluímos não com uma definição, que certamente poderia ser parcial, mas com uma pergunta para todas as leitoras: se está feliz, por que mudar; se está infeliz, até quando suportar? Paulo Sisinno

abril 19, 2010

Reproduzo texto do meu amigo Chico Lobo e assino embaixo: “Para minhas queridas amigas e verdadeiras comunicadoras: Marisa Meliani e Ines Amarante MATÉRIA SOBRE O DAIME… RECORD, uma emissora de M… por Chico Lobo IGREJA UNIVERSAL X SANTO DAIME Desculpem meu desabafo e até minhas palavras grotescas, mas não encontro outra maneira de definir a REDE RECORD de Televisão. A Record News, fake da GLOBO NEWS , fantasia suas supostas “reportagens” com o que há de mais absurdo, mentiroso, difamatório e inverídico em suas matérias. Alias, é até um deserviço falar nessa emissora. Todos sabem as origens da negociata que levou o grupo empresarial “IGREJA” UNIVERSAL a adiquirir essa rede com dinheiro do dízimo dos pobres e enganados fiéis… Mas se ficasse apenas nisso, ainda que por conta de vivermos numa República de Bananas, ainda iríamos tolerar mais essa, mas o que a Record faz com seu jornalismo é uma absoluta perseguição aos demais cultos e TRADIÇÕES BRASILEIRAS… um genocídio cultural feito com uma concessão PÚBLICA de teledifusão. Hoje, noite de quarta 31/03 (22 horas) esteve passando uma “reportagem” sobre o DAIME na RECORDNEWS, feita de maneira a destruir a imagem desse culto sob todos os pontos de vista, imputando aos seus seguidores a imagem de criminosos, viciados em drogas e curandeiros, fato este absolutamente MENTIROSO, DIFAMATÓRIO E IRRESPONSÁVEL de ser veiculado numa rede de televisão que se proponha a fazer “jornalismo”. CULTO AO SANTO DAIME NO ACRE Não sou adepto e nem frequentador de nenhuma religião e embora eu conheça o que seja o Santo Daime, o Vejetal , o Awaska… também garanto que não sou seu seguidor, mas posso afirmar com certeza pelos estudos que faço sobre essa cultura que toda essa campanha difamatória promovida pelo suposto “bispo” Macedo das empresas IGREJA UNIVERSAL” na sua infame rede Record de Televisão, NADA TEM A VER COM A REALIDADE, nada tem a ver com a verdade, nada tem a ver com a lisura jornalistica, É realmente revoltante a atuação desse jornalismo marrom vomitado por esses pseudos “profissionais” de imprensa na rede record. Isso é o uso do poder econômico adiquirido com os dizimos de seus “fiéis”,… é o uso da grande mídia adiquirida com esse dinheiro sujo que vem para destruir nossa cultura e nossas tradições em nome de um “idealismo” político-econômico disfarçado de religião, que agora toma conta da politica e da grande midia. Falar contra esses canalhas metidos a jornalistas é expor-se á possibilidade de ser taxado como um militante contra a “liberdade de expressão”, Mas na verdade, delatar esses facínoras da mídia é lutar por uma imprensa descomprometida com interesses escusos e pessoais de seus empresários. Sei que muitos amigos falam de tudo o que bem merece a REDE GLOBO, mas se esquecem de que nesse mundo podre da GRANDE MIDIA há coisas piores acontecendo, mas que o ofuscante nome da Globo acaba ocultando todo o lixo que acontece na rede SBT e na REDE RECORD. Por favor, se voce concorda com essa minha visão, em nome da ética, da lisura, da verdade, ajudem a divulgar esse e-mail Chico Lobo”

abril 5, 2010